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Vamos falar sobre autoestima?

Por: Aline Lomar


Aline Bastos Lomar Miguez


Nascida no Rio de Janeiro, advogada da Covac Sociedade de Advogados. Mestre em Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania (PPGD/UVA). Mestranda em Teoria e Filosofia do Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGD/UERJ), pós-graduada em Direito Civil-Constitucional (UERJ) e exerceu a docência no Centro Universitário Carioca. Integrante de grupo de pesquisa Pragmatismos (PPGD/UERJ) que articula concepções de Filosofia, Artes e Literatura, relacionando-as a debates políticos e jurídicos contemporâneos.



Com a proximidade do Dia da Mulher, intensificam-se as pautas urgentes para reflexão, conversa e partilha. Saúde mental, violência, autocobrança, equidade no trabalho, etarismo etc. Todas são questões profundas e importantes para a vida das mulheres. Há muito a dizer e a transformar.


Ainda assim, quando se procura um ponto de partida para tantas reflexões, talvez seja necessário dar alguns passos para trás e voltar o olhar para algo essencial: como anda a nossa autoestima? É dela que nasce a força para enfrentar as situações que, tantas vezes, diminuem nossa energia e potência de vida.


A autoestima pode ser compreendida de diferentes maneiras. Sem pretender limitar o conceito, pode-se dizer que ela é a confiança que alguém aprende a cultivar por si e dentro de si. É saber, no íntimo, que há recursos para enfrentar os desafios da vida e que se merece experimentar a alegria de existir. Ela nasce da crença na própria capacidade de pensar, aprender, escolher caminhos e reagir com firmeza diante do novo e do inesperado. É também aquela certeza tranquila de que se tem direito à realização e à felicidade e de que há ímpeto suficiente para buscá-las.


Da autoestima também nasce uma forma de liberdade: a de não viver permanentemente para agradar a todos. Isso não significa deixar de prestigiar as pessoas ao redor, mas reconhecer que a própria vontade e as próprias prioridades também merecem ocupar o lugar que lhes cabe.

A necessidade de aprovação pode se tornar uma força invisível e dominante. Muitas vezes ela se manifesta na pergunta que atravessa as nossas decisões: “o que vão pensar de mim?” Talvez seja hora de substituir essa pergunta por outra mais sincera: “o que realmente corresponde ao meu caminho?”


Quando a busca por pertencimento se torna excessiva e nos afasta de quem somos, surgem culpa, desgaste emocional e a tentativa de permanecer em lugares que já não fazem sentido. Ferir-se para continuar cabendo em espaços que já não nos acolhem produz apenas cansaço e enfraquecimento interior. 


Fortalecer a autoestima é, em grande parte, desenvolver uma segurança interna alinhada com aquilo que cada mulher sente como verdadeiro. Existe dentro de cada pessoa uma espécie de bússola. Ela está ali, indicando caminhos, ainda que muitas vezes seja abafada pelo medo, pelas expectativas externas ou pela pressa da vida. Escutá-la exige coragem, mas também traz direção.


Quando essa escuta acontece, algo começa a se reorganizar. As relações tornam-se mais honestas, as escolhas mais coerentes e a vida passa a caminhar com mais verdade. Aos poucos, aquilo que está ao redor também tende a se alinhar, porque quem está ancorado em seus valores e em seus desejos passa a ocupar o próprio lugar com mais convicção.


Às vezes é preciso mudar a rota e voltar-se para si mesma. Esse movimento é um gesto de reencontro. E há algo profundamente forte e libertador nisso!


 
 
 

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