Saúde mental e esgotamento feminino
- Bruna Basevic
- há 17 horas
- 2 min de leitura
Por: Aline Lomar
Basta uma conversa sincera entre mulheres para perceber que a ansiedade e o cansaço
deixaram de ser exceção para se tornarem queixas rotineiras.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas convivem
com alguma condição que afeta a sua saúde mental.
Essa realidade se manifesta de forma particularmente intensa nas mulheres, que
enfrentam sobrecarga contínua e, apesar dos avanços, desigualdades estruturais que
comprometem diretamente o seu bem-estar. Trabalho, cuidados com a casa, atenção aos
filhos e gestão da vida familiar se acumulam. Mesmo quando compartilham tarefas
domésticas, as mulheres ainda assumem a maior parte.
O desgaste, portanto, não surge de repente. Ele se instala aos poucos, transformando-se
em cansaço constante, dificuldade de concentração e sensação persistente de
insuficiência, podendo evoluir para o esgotamento físico e mental.
Curiosamente, nunca se disseminou tantas informações sobre hábitos saudáveis. Hoje, a
Medicina do Estilo de Vida aponta como pilares para a prevenção e tratamento de
doenças: sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física, manejo do estresse e
relações significativas. Mas, ao mesmo tempo, parece muito difícil colocá-los em prática.
Saber o que é saudável não basta quando faltam tempo, energia e condições objetivas.
Ainda assim, pequenos ajustes fazem grande diferença. Estabelecer limites, reduzir o que
não é essencial, dividir responsabilidades, aceitar ajuda e organizar tarefas de forma
simples, garantindo que todos participem, são formas de proteger a nossa saúde física e
mental. Também é importante procurar um profissional de saúde mental para a avaliação
adequada e o acompanhamento quando necessário.
Claro que para mudanças mais efetivas, é preciso ir além do esforço individual. Políticas
de equidade de gênero, valorização do trabalho e acesso à renda que garanta a
autonomia da mulher são, também, políticas de saúde mental. Enquanto a sobrecarga for
considerada normal, o adoecimento continuará.
Além das iniciativas e projetos do Instituto ELA, a nossa contribuição também passa pelo
diálogo, pois, compartilhar o tema é um importante passo para impulsionar a mudança
efetiva de cultura e promover maior equilíbrio na vida feminina.





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