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Saúde mental e esgotamento feminino

Por: Aline Lomar


Basta uma conversa sincera entre mulheres para perceber que a ansiedade e o cansaço

deixaram de ser exceção para se tornarem queixas rotineiras.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas convivem

com alguma condição que afeta a sua saúde mental.


Essa realidade se manifesta de forma particularmente intensa nas mulheres, que

enfrentam sobrecarga contínua e, apesar dos avanços, desigualdades estruturais que

comprometem diretamente o seu bem-estar. Trabalho, cuidados com a casa, atenção aos

filhos e gestão da vida familiar se acumulam. Mesmo quando compartilham tarefas

domésticas, as mulheres ainda assumem a maior parte.


O desgaste, portanto, não surge de repente. Ele se instala aos poucos, transformando-se

em cansaço constante, dificuldade de concentração e sensação persistente de

insuficiência, podendo evoluir para o esgotamento físico e mental.


Curiosamente, nunca se disseminou tantas informações sobre hábitos saudáveis. Hoje, a

Medicina do Estilo de Vida aponta como pilares para a prevenção e tratamento de

doenças: sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física, manejo do estresse e

relações significativas. Mas, ao mesmo tempo, parece muito difícil colocá-los em prática.


Saber o que é saudável não basta quando faltam tempo, energia e condições objetivas.


Ainda assim, pequenos ajustes fazem grande diferença. Estabelecer limites, reduzir o que

não é essencial, dividir responsabilidades, aceitar ajuda e organizar tarefas de forma

simples, garantindo que todos participem, são formas de proteger a nossa saúde física e

mental. Também é importante procurar um profissional de saúde mental para a avaliação

adequada e o acompanhamento quando necessário.


Claro que para mudanças mais efetivas, é preciso ir além do esforço individual. Políticas

de equidade de gênero, valorização do trabalho e acesso à renda que garanta a

autonomia da mulher são, também, políticas de saúde mental. Enquanto a sobrecarga for

considerada normal, o adoecimento continuará.


Além das iniciativas e projetos do Instituto ELA, a nossa contribuição também passa pelo

diálogo, pois, compartilhar o tema é um importante passo para impulsionar a mudança

efetiva de cultura e promover maior equilíbrio na vida feminina.

 
 
 

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