top of page

Nem todo pai cria. Nem todo pai falta.

Por: Priscilla Leão


Dia dos Pais sempre me fez pensar numa pergunta incômoda: o que é, afinal, ser pai?

Por muito tempo tentei encaixar essa palavra num molde só. Hoje entendo que ela cabe em três homens muito diferentes, que me formaram de três maneiras. E é essa trilogia que quero dividir com vocês hoje.


O pai que me deu a vida

Meu pai biológico foi um pai ausente. A distância física fez parte disso, mil quilômetros separam a nossa história. Não fomos presença um na vida do outro, não construímos muitas memórias juntos, não tivemos o dia a dia que costumamos imaginar quando pensamos em "pai".


Mesmo assim, sou grata a ele. Grata pela vida, mesmo não planejada. Grata pelo sobrenome que carrego, que de alguma forma me deu a força de um leão para seguir em frente. Às vezes gratidão não é sobre o que recebemos em abundância, é sobre reconhecer o pouco que também tem valor.


O pai que escolheu ficar

Quem me criou foi meu avô. Foi ele quem esteve presente em cada momento que precisei de suporte, foi ele quem me fortaleceu. Não foi um apoio financeiro, isso me fez trabalhar muito cedo. E não foi um homem fácil, tinha a rigidez de uma geração diferente da dos pais das minhas amigas.


Mas foi dele que veio o amor que me formou. A inspiração pela comunicação, pelos estudos, pela leitura, pela escrita, tudo isso nasceu ali, ao lado dele. A mulher inteligente que sou hoje existe porque um avô decidiu ser pai quando ninguém mais podia.


O pai que eu escolhi para a minha filha

E hoje tenho ao meu lado o Rafa, pai da minha filha, que fecha essa trilogia de um jeito quase perfeito. Ele brinca, educa com cautela, dá suporte, cozinha, dá banho, ensina, ama e, acima de tudo, está presente. Ele une tudo aquilo que meus pais, cada um à sua maneira, não conseguiram me dar.


Eu escolhi certo para a minha filha. E sou muito grata também por viver a maternidade com um suporte que a minha própria mãe não teve. Ver minha filha crescer com um pai assim é, de muitas formas, curar uma história antes dela nem começar.


O que fica

Pai não é quem cria. Pai não é, necessariamente, quem te supre tudo. Cada um dá o que consegue, com as ferramentas que tem, com as feridas que carrega, com o tamanho do amor que aprendeu a oferecer.


Por isso, seja grata pela sua história, independentemente da quantidade de presença, de cuidado, de suporte que você recebeu. Encontre o melhor que existe no seu pai, seja ele quem for, e agradeça por isso.


No Instituto Ela, ao lado de tantas mulheres reconstruindo suas próprias histórias, aprendo que gratidão não é ignorar o que faltou. É escolher enxergar o que existiu, por menor que tenha sido, e transformar isso em força para seguir.


Feliz Dia dos Pais a todos os pais possíveis. Aos que criaram, aos que se ausentaram, aos que escolheram ficar, aos que ainda estão aprendendo.


E se você é pai e está lendo isso, fica aqui um convite, não uma cobrança. Se pergunte se você tem entregado o melhor pai que consegue ser hoje. Sem culpa, porque ninguém tem obrigação de ser perfeito, só de tentar um pouco mais a cada dia. Que a sua experiência como pai seja cheia de momentos felizes ao lado dos seus filhos! 


 
 
 

Comentários


bottom of page